Mosquito Zero: tecnologia desenvolvida na Bahia promove ação conjunta entre agentes e população

A Bahia é o local onde foram notificados os maiores índices de suspeita de Zika Vírus no país esse ano. Segundo o Ministério da Saúde, o estado teve 56.318 casos suspeitos até o final de outubro e, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, até 18 de novembro, o número já havia subido para 62.635, em 284 municípios.

Contra a dengue e zika ainda não existem medicamentos e nem vacinas registradas, no entanto, o combate deve ser feito contra o mosquito transmissor das duas doenças. Pensando em uma maneira que a população pudesse colaborar nessa luta, o ex-agente de combate à endemia, atual gerente em pesquisa do Núcleo de Tecnologia da Informação da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, Alex Sandro Correia, desenvolveu um aplicativo para o monitoramento dos focos do mosquito transmissor, que promove a participação conjunta da população e dos agentes de combate a endemia.

O aplicativo, que poderá ser acessado por um smartphone ou pelo computador através do site, serve como um espaço público de notificação. “Se caso a pessoa durante a faxina no quintal encontrou algum foco do mosquito, ela pode inserir o endereço da casa no aplicativo e notificar esse foco. Isso vai facilitar e otimizar o trabalho dos agentes, além de alertar sobre áreas que precisam de mais atenção”, explicou.

APLICATIVO-mosquitozero

As notificações, tanto dos moradores, quanto dos agentes, a partir do momento que forem registradas, vão formando um mapa de focos do mosquito, que poderá ser consultado online. “Essa ideia de inserir a população no combate à dengue é também o tema da nova campanha do Ministério da Saúde que propõe o “sábado da faxina”.

Em 2014 o projeto do aplicativo foi vencedor do concurso Ideias Inovadoras da FAPESB, na Bahia e foi o único projeto do Brasil aprovado e submetido ao chamamento público do Ministério da Saúde para financiamento. De acordo com Alex, apesar de já ter protótipo, registros e documentação para iniciar os trabalhos, o projeto ainda não foi implantado.  “Ele foi aprovado para financiamento há quatro meses, mas houve problema no Sistema de Convênio (SICOMV) e o Fundo Nacional de Saúde não nos repassou o recurso. Mas felizmente recebemos nessa sexta-feira (4) a informação de que o problema foi resolvido e a qualquer momento receberemos o dinheiro”. O orçamento total do projeto soma R$ 193 mil. “A partir do pagamento, em até 90 dias o projeto vira realidade”, afirmou.

O aplicativo poderá ser baixado por qualquer pessoa de forma gratuita, porém, a princípio, só serão registrados focos em um bairro piloto de Salvador. “A ideia é ampliar para os 10 bairros da cidade que possuem mais focos mosquito e depois expandir para outros estados”. O ex-agente ainda acrescentou que “com a situação em que o Brasil se encontra e com as novas doenças descobertas associadas ao mosquito, eu imagino que a população mobilizará e nós precisamos oferecer ferramentas práticas e rápidas para auxiliar essa mobilização”, concluiu.